CATS e o Rio de Janeiro
Quarta-feira, Novembro 24, 2010
As coisas boas da vida são como colares de contas. Os dedos que seguram, delicados, um fio de alegrias, não param de encontrar surpresas. Foi assim desde que vi, na Livraria Cultura de São Paulo, uma linda edição bilingue do livro "Cats", do T. S. Eliot. Trouxe para ler com minha filha. Ficou guardado de maio até setembro, esperando a sua vez na fila dos livros que lemos antes de dormir.
Escrito porSocorro Acioli às 10:31 PM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem
Marcadores: Borboleta mãe, Rio de Janeiro
Rachel de Queiroz:cem anos
Quarta-feira, Novembro 17, 2010
Rachel de Queiroz em uma lição
"Ninguém é de todo bom, nem de todo mau”, disse Rachel de Queiroz, exatamente com essas palavras, na última entrevista que me concedeu, em agosto de 2002. Foram vários depoimentos entre 1998 e 2002, colhidos para a escrita de sua biografia, publicada em 2003. De tantas conversas, algumas frases em especial calaram em mim. Essa foi uma delas.
Na ocasião conversávamos sobre suas personagens, tema provocado pela pergunta de uma mocinha de pouco mais de 15 anos, de caderno nas mãos, esboçando uma entrevista para um trabalho escolar.
- A Conceição do livro “O Quinze” é a senhora mesmo? – perguntou, com a inocência e alegria dos seus poucos anos.
Rachel respondeu que não, as coisas não funcionam assim na literatura. Explicou que personagens não são espelhos do autor, mas criações artísticas. São feitos de retalhos de lembranças, pedaços dali e de acolá, mas não surgem, nunca, como reflexos perfeitos e absolutos do seu criador. Contou que os bons personagens são como nós, cheios de facetas, máscaras, mistérios, bondades, medos... e conflitos.
Compreendi, então, que parte da maestria de Rachel de Queiroz como escritora estava no domínio da criação de personagens notadamente humanos, tão próximos do que somos de verdade quanto os que moram na casa ao lado, pertíssimo do nosso mundo. Amamos Maria Moura, por exemplo, porque sabemos que sua valentia é filha do medo, conhecemos o seu desejo secreto de amar, sabemos que ela não é forte por inteiro. Fazemos parte, como leitores, de suas horas de fraqueza. Perdoamos os seus erros, porque ela é como nós, dividida, sempre, entre dois caminhos possíveis, de destinos, chapinhando em terreno obscuro.
É parte da condição humana: somos construídos pela matéria da dúvida, moldados pela ambiguidade. Assim também era Rachel de Queiroz. Ateia declarada que vivia sob os olhos de santos e anjos da sua coleção de arte sacra. Apaixonada pelo Ceará, mas que deixou a terra natal na primeira oportunidade, em nome da sua profissão - que ela respeitava acima de tudo. Conversava sobre política com a mesma destreza com que preparava uma panela de doce. Gostava de luta livre e bordados. Amava o burburinho do centro do Rio de Janeiro e o silêncio do açude do sertão. Tudo cabia no mesmo coração.
Talvez a maior lição de Rachel de Queiroz – ainda não compreendida em sua totalidade, certamente – tenha sido ensinar que somos nada mais que um produto de nossas contradições. E que não é justo, muito menos possível, exigir perfeição de seres tão falíveis e, por isso mesmo, encantadores.
“Ninguém é de todo bom, nem de todo mal”, ela disse. A condição humana nos faz assim. Louvados sejam os cem anos de Rachel de Queiroz. Não a louvaríamos hoje com tanto clamor se não houvesse, na sua vida e obra, essa indecifrável e plena humanidade.
Socorro Acioli - Escritora e autora do ensaio biográfico “Rachel de Queiroz” publicado pelas Edições Demócrito Rocha
Escrito porSocorro Acioli às 9:12 AM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem
A Bailarina Fantasma na Folha de S.Paulo
Quarta-feira, Novembro 03, 2010
GABRIELA ROMEU Batidas repentinas na porta, vultos para lá e para cá. Foi o que escutou e viu a escritora Socorro Acioli no Theatro José de Alencar, em Fortaleza (CE), por onde andou diversas vezes antes de escrever a história do livro "A Bailarina Fantasma" (ed. Biruta; R$ 34). "Um certo dia eu fiquei sozinha no palco principal, com todas as cortinas fechadas, uma escuridão de apavorar. Eu precisava sentir medo. Ouvi batidas de porta, vultos passando, mas não tive um encontro cara a cara com a bailarina. Infelizmente", conta a autora. Inspirado numa lenda urbana, o romance conta a história da menina fantasma Clara e da menina de carne e osso Anabela, que se encontram um dia no teatro. Enquanto suas trajetórias se cruzam, é contada a história de construção do teatro. "A Bailarina Fantasma", cuja história é famosa capital cearense, Fortaleza, está sendo adaptado para virar filme, com direção de Glauber Filho ("Bezerra de Menezes, o Diário de um Espírito" e "As Mães de Chico Xavier"). Em fase de pré-produção e escrita de roteiro, a previsão de estreia é 2012. Abaixo, leia um bate-papo com a escritora, autora de obras como "Tempo de Caju", "Inventário de Segredos" e "O Anjo do Lago". Confira o book trailer da obra e conheça o blog da autora. Como foram feitas as pesquisas antes de escrever a obra? Quais histórias que ouviu dos funcionários do teatro e que não foram parar no livro, por exemplo? Durante as visitas ao teatro, você passou horas sozinha no porão. Como foi a experiência? Algum rastro da bailarina por lá? Há um emaranhado de dados históricos e ficção no romance. Pode dar algumas pistas para o leitor desvendar esse mistério? O livro tem arabescos e fotos do teatro, mas nenhuma imagem da bailarina. É importante preservar esse espaço de imaginação dos leitores? Para quem visitar o Theatro Teatro José de Alencar, em Fortaleza, quais cuidados deve tomar para não encontrar (ou encontrar) Clara? A obra vai virar filme? Conte um pouco sobre esse projeto.Livro sobre história de bailarina fantasma do Theatro José de Alencar vai virar filme
EDITORA-ASSISTENTE DA FOLHINHADivulgação 
Fachado do Theatro José de Alencar, em Fortaleza (CE)
Acioli - O primeiro passo foi pesquisar a história oficial do teatro. Depois, passei a entrevistar funcionários, ex-funcionários, artistas e todas as pessoas que tivessem histórias para contar. Ouvi muita coisa e escolhi as melhores para o livro, aproveitei quase tudo.Divulgação 
Palco do teatro cearense, onde há registro de aparição da bailarina
Acioli - Pedi autorização para andar por lá livremente. Um certo dia eu fiquei sozinha no palco principal, com todas as cortinas fechadas, uma escuridão de apavorar. Eu precisava sentir medo. Ouvi batidas de porta, vultos passando, mas não tive um encontro cara a cara com a bailarina. Infelizmente.
Acioli - A cronologia é toda real: chegada do ferro, inauguração, reforma, tudo está no tempo certo, tudo aconteceu. Os personagens são todos ficcionais. A família MacFarlane não veio para Fortaleza, mas é de fato a empresa que produziu o ferro. Nunca existiu o Gabriel, o piano, nada daquilo. Foi encontrado um baú de madeira sobre o palco durante a reforma, mas não havia diário algum lá dentro. Já os relatos das aparições são todos reais.Divulgação 
Capa do livro sobre a bailarina Clara, de Socorro Acioli
Acioli - Sim, muito importante. A imagem da bailarina está na cabeça de cada pessoa que sabe da sua existência. Para mim ela é como descrevi: muito branca, de cabelos ondulados, soltos, de roupa azul. Para o leitor, será como ele imaginar.
Acioli - A Clara gosta de todos os lugares do teatro, por isso não há como fugir dela. Mas a pista mais certa é observar onde estão os gatinhos que moram por lá. Eles sempre ficam perto dela.
Acioli - Sim, "A Bailarina Fantasma" vai virar filme, com estreia prevista para 2012. Eu mesma estou escrevendo o roteiro para cinema e acabei de ganhar um prêmio por ele. Ainda estamos negociando uma série de detalhes (o mundo do cinema é bem complicado!), mas logo que eu tenha mais informações passarei para a Folhinha. Só posso dizer que a estória vai mudar um pouco do livro para o filme, um personagem novo será acrescentado na trama e tudo ficará ainda mais divertido... e assustador!
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Marcadores: A Bailarina Fantasma
Carta Fundamental
Terça-feira, Novembro 02, 2010
Mais uma notícia boa: a revista Carta Fundamental (publicação da Carta Capital para professores) publicou o meu conto inédito "Ela tem olhos de céu" na edição do mês de outubro, com bastante destaque.
Escrito porSocorro Acioli às 10:29 AM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem
Marcadores: Boas notícias
Boas novidades
Todo dia surgem no mínimo duas novas ideias para escrever nesse blog. Os temas variam de cinema a culinária, da literatura à onda das modelos plus size. E por aí vai. O que falta é o tempo. Ou somos nós que não sabemos mais lidar com ele? Tenho pensado nisso esses dias...
Escrito porSocorro Acioli às 1:41 AM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem
Marcadores: Boas notícias
