Música

Estudei violão clássico dos 9 aos 16 anos. Entrei no curso de música da Universidade Estadual e cursei um semestre, mas não pude seguir por questões circunstanciais. Era o ano de 1996 e, desde então, parei de tocar. E isso me faz muita falta.

Além da literatura e do cinema - mais que fontes de prazer, são o meu trabalho, afinal - a música é a expressão artística que mais me emociona. Os meus melhores trabalhos são os que foram escritos com trilha sonora. "A bailarina fantasma", por exemplo, escrevi ouvindo a suíte do ballet "Quebra-Nozes", do Tchaikowski, de forma incansável. Sem a música, era impossível escrever. Ela me ditava o ritmo, as emoções, o tom.
Essa semana fui a dois shows muito significativos para mim. Costumo sair pouco, evito multidões, mas não poderia perder a oportunidade de ver os dois shows gratuitos promovidos pela Universidade Federal do Ceará. Na segunda, vi Teresa Salgueiro, a voz do Madredeus, a voz de Portugal. Na terça ouvi Mayra Andrade, cujo trabalho conheci quando estive em Cabo Verde, ano passado. Falei muito dela na série de posts sobre minha estadia na África, ano passado.
Por causa dos intercâmbios educacionais entre os dois países, Fortaleza está cheia de caboverdianos que não contiveram a emoção ao ver Mayra cantando em crioulo, sua língua natal e isso me emocionou. Pensei muito neste sentido de pátria, de terra e no quanto a música funciona nessa construção de identidade.
Com Teresa Salgueiro a emoção foi um pouco maior porque ela veio marcando uma data importante para mim. No dia 18 de outubro retomei o trabalho com um novo romance cuja temática é portuguesa. Madredeus e Teresa são a minha trilha sonora, uma música para cada capítulo. Não tenho prazo para concluir. O tempo é pouco, continuo cheia de trabalhos de tradução e outros que surgem (felizmente!) de onde menos espero.

Esses dias musicais mexeram muito comigo. Tenho olhado para o violão, com vontade de renovar suas peças de ferro, as tarrachas, trocar o encordoamento e voltar a dedilhar. Voltar ao que sou.



Escrito porSocorro Acioli às 10:48 AM 3 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Batata de briga

Minha filha chegou em casa com as notas das últimas provas, sempre ótimas. Olhei todas as questões, como de costume e vi que em uma delas havia um "erro" hilário. A professora pedia que o aluno indicasse alimentos feitos com determinados ingredientes. No item batata minha filha escreveu o seguinte prato: BATATA DE BRIGA. A professora riscou e escreveu ao lado o que achava que seria a resposta correta: batata frita.
Nada disso.
Aqui em casa não tem batata frita. Tem, sim, batata de briga toda semana. Essa é uma receita da Nigella, muito simples: corte seis a oito batatas com casca e tudo em pedaços iguais, coloque em um refratário com boa quantidade de azeite, jogue dois dentes de alho para cada batata, com casca e tudo, sal à gosto, uma misturadinha e uma hora de forno médio. O resultado são batatas assadas por fora e bem macias por dentro, uma delícia!
Batizamos esse prato de batata de briga porque nunca dá pra quem quer. As últimas são sempre disputadas naquelas brigas felizes de família reunida à mesa.

Isso me fez pensar em muitas coisas. A comida de casa, da mãe, é que constrói a memória afetiva da criança. No futuro ela vai lembrar da batata de briga com nostalgia. Talvez faça em casa, para os seus filhos e explique o motivo do nome. Talvez lembre do cheiro que tomava conta da nossa casa quando a batata estava no forno.

Ora, professora, minha filha está certíssima! Batata frita não tem graça nenhuma.

Escrito porSocorro Acioli às 1:45 PM 5 Barulhinho bom... Links para esta postagem