As pedras no caminho da literatura infantil e juvenil

Publicado no Caderno 3 do Diário do Nordeste, de Fortaleza

No ano de 2006, a pesquisadora israelense Zohar Shavit começou uma conferência sobre literatura infantil e juvenil na Universidade do Minho, em Portugal, contando uma anedota:
Dois senhores respeitáveis estavam em uma festa. Apresentados por um amigo em comum, começaram uma conversa trivial:
- E então, qual a sua profissão?
- Sou escritor de literatura infantil.
- Ah, que interessante! Eu sempre tive vontade de escrever livrinhos para crianças, meus netos adoram as minhas historinhas. Qualquer dia eu escrevo um, é só arrumar um tempinho.
- E você, qual é a sua profissão?
- Sou neurocirurgião.
- Ah, que interessante! Eu sempre tive vontade de abrir cabeças. Qualquer dia eu opero um cérebro, é só arrumar um tempinho.
Neste diálogo, baseado em fatos reais, está contida a maior pedra no caminho da literatura infantil e juvenil: a falsa noção de que não é necessário nenhum conhecimento teórico ou técnico para escrever, ilustrar, editar, selecionar e julgar livros para crianças e jovens. Os critérios de análise e escrita são sempre baseados no gosto pessoal, no senso comum, na função pedagógica e principalmente na noção de utilidade do texto para as crianças. Parece que é fácil. Mas não é bem assim.
O primeiro erro de abordagem está na definição de gênero. Nem todo texto escrito para crianças e jovens pode ser considerado literatura. Existem os livros didáticos, informativos, com a clara função de ensinar um conteúdo – às vezes disfarçados com um pouco de purpurina literária que não convence – mas que não são literatura de forma alguma.
Na teoria literária existe um conceito chamado literariedade, um conjunto de indicações para ajudar a definir o que é ou não literário em um texto. Essas características estão na riqueza e profundidade dos personagens, elaboração de um enredo com conflitos, antagonismos, clímax, ritmo, estrutura, reinvenção de linguagem, novidades e surpresas nas relações entre palavras, verossimilhança, ficcionalidade... Isso para citar apenas alguns dos elementos que são reconhecíveis em um texto literário de qualidade.
Julgar um texto destinado a crianças e jovens, portanto, é uma tarefa tão complexa quanto à crítica de um texto para adultos (sabendo que nem sempre é possível construir fronteira tão rígidas entre os dois). Mas, para o senso comum, parece que não é necessário conhecer nada de teoria ou técnica para fazer esse julgamento.
Na minha vivência como escritora de literatura infantil e juvenil convivo com pais, professores e leitores, colecionando uma série de exemplos desses erros generalizados de análise. Já vi, por exemplo, o caso de textos mal escritos, chatos de ler, longos, detestados pelos alunos, mas empurrados pelos adultos por conter importantes lições sobre um tema qualquer. Os alunos odeiam aquele negócio que chamam de literatura, mas que não passa de uma lição chata e que tenta enganar os leitores entediados.
A culpa não é dos professores, mas de sua formação. A maioria deles passa por cursos de pedagogia onde, no máximo, cursam uma única disciplina dedicada aos livros infantis, tratando-os como um instrumento pedagógico a mais, sempre focando em como “usar” em sala de aula – quase como se usa um jogo, uma massa de modelar, um estojo de lápis de cor.
Falta a educação do sentimento. Falta a leitura em busca da emoção, do sorriso e da lágrima. A literatura, como toda arte, é um caminho para entender melhor a vida.
Sendo assim, por que negar aos jovens o direito à leitura de textos que tratem de temas como a morte, as perdas, os momentos difíceis da vida? Por que privá-los da experiência do encantamento e da emoção? Isso é literatura, essa leitura emocionada, que modifica a vida, que mostra outras formas de vivenciar a própria realidade.
Julgar um livro destinado a crianças e jovens sem conhecimento das características principais de um bom texto literário não chega a ser fatal como abrir um cérebro sem conhecimento de medicina. Mas acarreta o perigo, isso sim, de destruir o potencial leitor de uma criança. Isso multiplicado por dezenas, centenas, milhares, é uma grande catástrofe.

SOCORRO ACIOLI
Especial para o Caderno 3

Escrito porSocorro Acioli às 4:17 PM 2 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

O sorvete caseiro mais fácil e rápido do mundo

Aqui somos todos loucos por sorvete, mas infelizmente eu e minha filha temos pouca tolerância à lactose. Depois de uma crise dupla de sinusite e outras ites por causa de uma farra de sorvete industrializado, decidi que nessa casa precisamos de uma sorveteira. Fazendo as receitas eu posso controlar os ingredientes, diminuir a lactose e os aditivos químicos e ainda testar muitos sabores.

Pesquisei bastante e encontrei modelos lindos e baratos de sorveteiras nos EUA, da marca Cuisinart. O problema é que o frete e os impostos triplicam o preço, de forma que uma dessas eu só poderei ter quando for aos EUA. A solução que restou foi procurar um modelo para comprar aqui mesmo no Brasil, pesquisando muito. Operação em processo.
Enquanto a máquina não chega, estou pesquisando receitas. Claro que recorri ao meu food blog preferido, o Chucrute com Salsicha, porque a Fezoca é tão fã de sorvete quanto a gente. Foi lá que descobri a receita do sorvete de caseiro mais fácil e rápido do mundo. É assim:

- Pegue quatro bananas (ou mais, ou menos, depende das bocas à espera), descasque, corte em rodelas e coloque em uma travessa no congelador ou freezer até virar pedra.

- Jogue as pedrinhas em um bom processador, aos poucos. Pode acrescentar um pouco de líquido para ajudar a misturar (suco de laranja, extrato de baunilha...) e vá batendo até virar um creme. Está pronto! Pode colocar mais tempo no freezer, para ficar mais firme.

É uma sobremesa maravilhosa para servir com rodelinhas de banana seca, acompanhando uma torta quente, com um pouco de mel ou maple syrup, do jeito que você quiser. Eu até fotografei a minha experiência, mas a foto da Fezoca é tão linda...

Escrito porSocorro Acioli às 5:47 PM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

A bailarina fantasma - o filme

Larah Nobrega, na filmagem do book trailer



Uma das melhores notícias do ano: meu romance "A bailarina fantasma" será adaptado para o cinema, com direção de Glauber Filho (Oropa, França e Bahia, Bezerra de Menezes, o diário de um espírito, As mães de Chico Xavier). Estamos em fase de pré-produção e escrita de roteiro, que será assinado por mim e pelo Glauber.
Em breve divulgaremos a produtora responsável pela realização do longa. A previsão de estreia é para o ano de 2012 e temos muito trabalho pela frente.
Algumas pessoas estão me procurando para divulgar trabalhos como atores e atrizes. Ainda é cedo para o casting, isso só acontecerá no segundo semestre de 2011. Além disso, essa decisão é dos produtores, que cuidarão da seleção de elenco.

No mais, estou muito feliz. Trabalhar com o Glauber Filho é uma honra e estou certa de que faremos um filme belíssimo, como nossa bailarina e o nosso Theatro José de Alencar merecem.

Escrito porSocorro Acioli às 10:34 AM 5 Barulhinho bom... Links para esta postagem  


Como eu já havia comentado aqui no blog antes, descobri esse ano que a mandioquinha é um dos legumes mais saborosos do reino. Já vi receitas de sopas, cremes, nhoque, purês, mas desde a primeira vez fui logo na versão assada ao forno e me dei bem. Basta cortar a mandioquinha em rodelas, temperar com sal e lemon pepper, azeite e forno médio. Depois fiz uma manteiguinha de alcaparra - um clima belle meunière - para jogar por cima e voilá! Todo mundo adorou.

Esse post culinário foi em atendimento aos pedidos de tanta gente que lamentou a falta de receitinhas por aqui. Eu cozinho todo dia, tenho feito tentativas e criações, algumas já estão fotografadas e eu devo postar em breve.

Escrito porSocorro Acioli às 12:55 PM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Gran Diccionario



Agosto foi um mês de alegrias, definitivamente.
Nos seus últimos dias, recebi das Edições SM o Gran Diccionario de Autores Latinoamericanos de Literatura Infantil y Juvenil, coordenado por Jaime García Padrino.
A grande felicidade foi saber que meu nome é um dos verbetes do dicionário, junto com mais 84 autores brasileiros: Ana Maria Machado, Caio Riter, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Angela Lago, Lygia Bojunga, Bartolomeu Campos de Queiroz, entre outros nomes de grande importância.

Uma alegria, uma honra e o estímulo para seguir e fazer mais e mais.

Escrito porSocorro Acioli às 8:26 AM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem