CATS e o Rio de Janeiro

As coisas boas da vida são como colares de contas. Os dedos que seguram, delicados, um fio de alegrias, não param de encontrar surpresas. Foi assim desde que vi, na Livraria Cultura de São Paulo, uma linda edição bilingue do livro "Cats", do T. S. Eliot. Trouxe para ler com minha filha. Ficou guardado de maio até setembro, esperando a sua vez na fila dos livros que lemos antes de dormir.

Quando aconteceu, foi um espanto. Um desfile de gatos interessantíssimos, construídos a partir de padrões de comportamento que nós, donas de um gato, conhecemos bem. O Velho Gambá - como Eliot assinava os poemas - nos deixou perplexas e lemos tudo na mesma noite. Procurei videos do musical "Cats", baseado nos poemas de Eliot e assim descobri que a montagem brasileira, como versões do Toquinho em português, estaria em cartaz no Rio. Já tínhamos o plano urgente de visitar uma tia (assunto para outro post) e tudo deu certo.
Tínhamos outros motivos importantíssimos para ir ao Rio: a festa do pijama de uma amiga querida da minha filha, a visita a uma tia em Petrópolis e a assinatura de um contrato muito importante - coisas sobre as quais comentarei depois.
Então, no dia 21 estávamos eu, minha filhota e minha querida amiga Sheila vendo Cats de perto, esse musical alegre e muito emocionante escrito a partir de poemas. Poesias como estopim para um grande espetáculo. Levamos o livro, claro! Que bom reconhecer os poemas na dança e música dos atores. Que bom estar ali, com minha filha de sete anos, apreciando um espetáculo de estonteante qualidade! Acho que ver o espetáculo sem conhecer os poemas deve ser bem diferente. Conheço várias pessoas que não gostaram do musical, certamente por isso.
Passamos a manhã relendo os poemas em voz alta. Foi lindo!
No dia seguinte eu estava com minha tia, tão doente, tão no fim da vida, agarrando-se às últimas contas do seu rosário de alegrias.
Agradeci, a mim mesma, por ter ido ver Cats e depois visitá-la. Lembrei da frase de Fernando Pessoa: "A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta".
A vida, essa de carne, um dia acaba.
Os gatos de Eliot, no entanto, viverão para sempre.

Escrito porSocorro Acioli às 10:31 PM  

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