Música
Quarta-feira, Outubro 20, 2010
Estudei violão clássico dos 9 aos 16 anos. Entrei no curso de música da Universidade Estadual e cursei um semestre, mas não pude seguir por questões circunstanciais. Era o ano de 1996 e, desde então, parei de tocar. E isso me faz muita falta.
Além da literatura e do cinema - mais que fontes de prazer, são o meu trabalho, afinal - a música é a expressão artística que mais me emociona. Os meus melhores trabalhos são os que foram escritos com trilha sonora. "A bailarina fantasma", por exemplo, escrevi ouvindo a suíte do ballet "Quebra-Nozes", do Tchaikowski, de forma incansável. Sem a música, era impossível escrever. Ela me ditava o ritmo, as emoções, o tom.
Essa semana fui a dois shows muito significativos para mim. Costumo sair pouco, evito multidões, mas não poderia perder a oportunidade de ver os dois shows gratuitos promovidos pela Universidade Federal do Ceará. Na segunda, vi Teresa Salgueiro, a voz do Madredeus, a voz de Portugal. Na terça ouvi Mayra Andrade, cujo trabalho conheci quando estive em Cabo Verde, ano passado. Falei muito dela na série de posts sobre minha estadia na África, ano passado.
Por causa dos intercâmbios educacionais entre os dois países, Fortaleza está cheia de caboverdianos que não contiveram a emoção ao ver Mayra cantando em crioulo, sua língua natal e isso me emocionou. Pensei muito neste sentido de pátria, de terra e no quanto a música funciona nessa construção de identidade.
Com Teresa Salgueiro a emoção foi um pouco maior porque ela veio marcando uma data importante para mim. No dia 18 de outubro retomei o trabalho com um novo romance cuja temática é portuguesa. Madredeus e Teresa são a minha trilha sonora, uma música para cada capítulo. Não tenho prazo para concluir. O tempo é pouco, continuo cheia de trabalhos de tradução e outros que surgem (felizmente!) de onde menos espero.
Esses dias musicais mexeram muito comigo. Tenho olhado para o violão, com vontade de renovar suas peças de ferro, as tarrachas, trocar o encordoamento e voltar a dedilhar. Voltar ao que sou.
Escrito porSocorro Acioli às 10:48 AM
Marcadores: Cabo Verde, Música, Portugal
3 Barulhinho bom...:
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Mayra Andrade e Lura tem sido minha trilha sonora em Mendoza, com os escudos que me restavam comprei,no aeroporto da praia, dois compactos que ainda não tinha. Não sei tocar nenhum instrumento e canto muito mal, mas minha vida tem trilha sonora.
Beijos
mais um talento hã? vc é incrível mesmo. bj. PS não teve mais leituras de texto não? sempre quis ir.
Socorro,
Tudo bem?
Gostaria de entrevistá-la para uma newsletter que colaboro aqui em BH.
Faz parte de um projeto do Instituto Cultural Aletria (www.aletria.com.br) que além de formar contadores de histórias é editoral recente e já premiada.
Algum lançamento por hora? Projetos? Idéias para o tema?
Por favor, me envie seu email e contatos telefônicos se possível, ainda este final de semana, porque a news entra on line na segunda a noite!
Abraços querida!