Aceitem minhas desculpas pela ausência. É preciso viver para ter o que contar. E como vivi. O último mês foi intenso o suficiente para encher um blog inteiro, acreditem. O semestre valeu por dez anos, em vários aspectos. Vivi em duas cidades ao mesmo tempo, indo e voltando nessa ponte imaginária que construí da estátua de Iracema para o disco voador do Niemeyer. Viagens semanais, troca-troca de avião, táxi, barca, aulas, vida em república... O saldo final foi uma bronquite grave e um coração feliz. O corpo sente, mas a alma aguenta o tranco e estou inteira de novo. Voltei a acreditar que pode ser bom dar aulas de literatura, ao menos se um dia eu conseguir ser tão fantástica quanto as duas professoras que tive. Haja tempo. Haja leitura e experiência. As duas são daquelas que a gente tem vontade de levar pra casa e não parar de conversar nunca. Acho que elas nem fazem ideia do quanto me marcaram.
Estudei um conjunto de textos definitivos para minha formação como pesquisadora e escritora. Enxerguei a literatura por pontos de vista inéditos, graças a livros que eu nunca leria se não fossem indicados pelas duas. Enquanto eu estava sentada em sala de aula, sempre pensava que poucas coisas na vida podem ser mais prazerosas que estudar literatura.
Morri de saudades do marido e da filha, mas vencemos mais essa. Temos um plano, afinal e por isso deu tudo certo.
Mas agora acabou. Cumpri as disciplinas e os cursos terminaram. Tudo que estudei será organizado em duas monografias deliciosas - que já servirão como capítulos da tese, o que me alegra muito - e a partir de agora partirei para um caminho de pesquisa mais solitário.
É preciso dizer: esse percurso de quatro meses foi pontuado por muita amizade, por isso foi tão feliz. Amizade sincera com as professoras, com os colegas de curso (dois em especial) e com as minhas colegas de apartamento em Niterói, Jô e Nat. Foi muito divertido. E foi muito lindo receber tanto carinho e cumplicidade.
Daí eu penso: foi a literatura que me deu tantos presentes. Só me resta agradecer, sorrir e escrever.

Escrito porSocorro Acioli às 4:50 PM  

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