Caramelo
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Eis o Caramelo, no primeiro dia aqui em casa, todo manhoso no colo de sua doninha. Olhe bem a foto e faça um exercício de imaginação: pense em um celular guardado dentro de uma bolsa de pelúcia. Toque a bolsa pelo lado de fora. O celular começa a vibrar no modo silencioso. Sentiu a tremedeira, ouviu o barulhinho? Pois é assim que o Caramelo fica quando ganha carinho. O nome disso é ronronar e foi ele quem me ensinou, dentre tantas outras coisas.Aprendi, por exemplo, que pedir carinho é a forma mais fácil de conviver com quem se ama. Pedir de verdade, sem rodeios, sem transformar esse pedido de atenção em coisas mais complicadas.
Aprendi também que é preciso sempre deixar claro os própios limites para que os outros não nos machuquem. Entendi que a gente só sofre quando permite que nos façam sofrer.
Caramelo, meu sábio gatinho amarelo... ainda tenho muito o que aprender com Vossa Ronronência.
Escrito porSocorro Acioli
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10:26 PM
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Caramelo
Esse post deveria ser sobre o nosso gato, o Caramelo, que chegou aqui no sábado.
Minha intenção era publicar uma foto dele e um pequeno texto sobre como tem sido a presença do Caramelo na minha vida. Acontece que o Blogspot me avisou que eu não posso mais postar fotos. Talvez isso seja um recado para dar uma pausa aqui no blog. Ou encerrá-lo, começar outro, tudo de novo. Porque é mais ou menos isso que está acontecendo na minha vida: muita coisa está recomeçando. Vamos por partes: entrarei de férias por uma semana. Se acontecer algo importante, virei aqui contar. Estou no Twitter, por enquanto. Em breve eu conto o que decidi.
Escrito porSocorro Acioli
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9:10 AM
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O Blog

Recebi os exemplares do livro "O Avarento", minha adaptação para o clássico de Molière publicada pela Escala Educacional. Trabalho difícil de fazer e de grande responsabilidade. Foram duas transposições: do texto teatral para a prosa e de um texto adulto para uma linguagem apropriada ao público juvenil. Li o original em francês, várias traduções para o português e pesquisei um bocado. Foi duro. Cheguei a rezar para o Sr. Molière, pedindo juízo para conduzir bem essa missão. Gotinhas da genialidade dele seriam necessárias.
A idéia da coleção Recontar Juvenil é aproximar o autor clássico da juventude, apresentar os textos clássicos de forma adequada para que, no futuro, o leitor tenha interesse em ler o original.
A história é divertidíssima, com requintes de crueldade. Tudo acontece na casa do Sr. Harpagon, um viúvo que é cego para a família ao seu redor porque só pensa em proteger a própria fortuna. Enquanto isso, a filha está apaixonada pelo mordomo e o filho está de namoro com a moça com quem Harpagon pensa em casar. Uma confusão divertidíssima!
Escrito porSocorro Acioli
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8:43 AM
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Lançamentos


A idéia do curry vegetariano foi da Clôzinha, minha mais que querida anfitriã em La Paz. Era parte do cardápio especial que ela criou para mim nos dias em que estive lá. Acordei no sábado passado decidida a reviver o curry. Combinaria perfeitamente com o arroz basmati que ganhei da Neda, quando estive em Cabo Verde. Seria também a oportunidade ideal para finalmente inaugurar um tempero indiano que a Érika mandou da Índia quando estava coordenando a produção da novela da Glória Perez: o autêntico curry, picante e aromático. Primeiro o arroz: refoguei uma xícara de arroz basmati no azeite extra virgem com dois dentinhos de alho, sal, um bom punhado de castanha de caju e uvas passas brancas, mais quatro colheres de sopa de côco ralado. Depois cozinhei com uma xícara de leite de côco e uma xícara de água. O cozimento é bem rápido.
Para o curry refoguei uma cebola inteira e um bocado de coentro cortado com tesoura (mania minha) no azeite de oliva extra virgem. Acrescentei duas colheres de sobremesa de curry indiano e vi meus temperos transformados em ouro. Foi então que chegaram para a festa uma xícara de grão de bico cozido, duas batatas inglesas, uma batata doce e uma berinjela, tudo cortado em cubos. Coloquei uma garrafinha de leite de côco e deixei todo mundo nadando na piscina dourada até que as batatas estivessem cozidas.
Comemos eu e meu amor, tomando vinho de Cabo Verde. E eu agradecendo por ter tantos amores perto de mim naquela mesa.
Escrito porSocorro Acioli
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8:08 AM
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Cozinha,
Meus amigos são incríveis
Preciso contar: estou realmente analisando a possibilidade de adotar um gatinho. Ou dois. A decisão ainda não foi tomada porque preciso:
- Conversar com a homeopata sobre a nossa alergia, minha e da Borboletinha,
- Analisar os custos de castração, vermifugação e vacinas, além do gasto mensal com ração,
- Mandar telar o apartamento, pois só temos grades nas janelas e é perigoso pro gatinho,
e a etapa mais difícil
- Convencer o meu marido, que já criou gatos, adora gatos, mas está resistente à idéia.
Enfim, só vou adotar se tudo isso for resolvido. É muita responsabilidade assumir um animal de estimação. Mas aviso logo que tenho preferência por um branco com amarelo, igualzinho ao Biscoito, o gato lindo que está nas fotos logo abaixo.A Borboletinha está animada e já escolheu os nomes deles. Vamos com calma, passo a passo. Prometo contar aqui o andamento do projeto.
Escrito porSocorro Acioli
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11:10 AM
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Gatos


Daniel Munduruku veio nos visitar sábado à noite. Ele vinha de Sobral, onde foi dar palestras e teria só algumas horinhas de descanso antes de pegar outro avião para Brasília. Borboletinha não aguentou ficar acordada para rever o amigo, mas começou o domingo recebendo o Karú Tarú, livro novo do Daniel, autografado e com direito a abraço do "tio". Comemos pizza, tomamos vinho e ouvimos Fagner, cantor preferido do Munduruku.
O cd escolhido foi "Orós", acervo do meu marido. Fagner não está dentre minhas predileções musicais, mas faço tudo para ver um amigo contente. Ainda mais quando é um amigo que, mesmo cansado e com sono, trocou seu tempo curto de descanso por uma noite boa conosco. O nome disso é carinho e, na minha terra, é a maior fortuna que se pode ter.
Escrito porSocorro Acioli
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9:26 PM
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Meus amigos são incríveis
Farol
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
Preciso agradecer, com atraso, a minha amiga virtual Vir Brandi, que me ajudou a mudar o visual do blog. Essa foto tem muito significado para mim. Posar ao lado do farol me diz muita coisa. Gracias, Vir! Você merece um presente!
Escrito porSocorro Acioli
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3:27 PM
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O Blog
Eu nunca tinha chegado perto de um gato antes. Adoro cachorro, mas os felinos sempre foram incompreensíveis para mim. Eu tinha medo. Achava que eles pulariam na minha cabeça a qualquer momento e deslizariam com as garras no meu rosto. Imagino essa cena quando um gato me encara. É terrível esse negócio de encarar, eles precisam parar com isso. Em minha defesa, meu medo não era de graça: um gato já atacou meu pé. E eu não estava fazendo nada. Sentei na cama de uma amiga, ele estava debaixo da cama e resolveu voar para cima do meu pobre pé direito. Arranhou, mordeu, sei lá o que ele fez. Foi um ataque que gerou traumas.
O fato é que eu nunca imaginei que um dia abraçaria um gato, faria carinho e compreenderia o seu olhar. Mas aconteceu. Foi em Cabo Verde e com dois ao mesmo tempo: Blanquito e Biscoito, os gatos da Neda e do João. Confesso que com o Biscoito a paixão foi mais forte. O Blanquito me seguia pela casa e isso me deixava confusa. Mulheres são assim, gatinho, não é nada pessoal. Ainda tenho problemas alérgicos com o pelo (tem acento?) deles, mas ficamos amigos. Voltei pra casa pensando em criar um gato. Meu marido achou que meu amor pelos gatos era um bom sinal (ele é psicólogo, estudou Jung e tem lá suas razões). Borboletinha disse que são as fotos mais legais da viagem.
Enfim, algumas imagens do ensaio fotográfico, intitulado: De quando amei um gato pela primeira vez.
Reparem na patinha do Blanquito na minha perna
(e reparem como a casa da Nedinha é linda e como é loirinho o Pilata do Talibe.)
Foi arrebatador. Biscoito se jogou na mala querendo vir comigo...
...segurou minhas sandálias para não me deixar sair

Conversamos muito e ele entendeu que sua casa era lá.
Ficou tudo bem na despedida. Eu acho.
Escrito porSocorro Acioli
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8:31 AM
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Cabo Verde,
Gatos
Hoje termino a série sobre Cabo Verde e é hora de agradecer:
Ao Ministério das Relações Exteriores e à Embaixada do Brasil em Praia, na pessoa da Embaixadora Maria Dulce, que tornou possível essa semana de trabalho em Cabo Verde,
A Marilene Pereira e Aparecida, do Centro Cultural Brasil Cabo Verde, que acolheram meu projeto e organizaram as minhas atividades,
(à Marilene agradeço também pelos bônus extra, como o meu encontro com o Arménio Vieira, as conversas sobre Mayra Andrade, Cesária Évora, Pantera, Luandino Vieira, Pepetela, Mia Couto e tantos registros de arte e afeto sobre Cabo Verde)

À Elaine, historiadora e pedagoga que trabalha no Centro Cultural, agradeço por ter me ajudado tanto na oficina de escrita. Sem o seu apoio o resultado não teria sido tão fantástico! Agradeço também por me guiar nos labirintos do Sucupira e me levar para comprar vestidos no melhor lugar do mercado.
A Neda, João e Pilata do Talibe, pelo carinho maior do mundo que tiveram comigo,
As três emissoras de TV de Cabo Verde, que divulgaram minhas atividades com longas matérias,Ao meu marido querido, amado demais, que me incentiva tanto, vibra com meu sucesso e segura a onda em casa enquanto eu viajo e à minha Borboletinha, que se comportou muito bem na minha ausência,E às crianças, pais, mães e professores que estiveram comigo nesses dias. Vocês, crianças, foram o brilho da festa!Alguém escreveu nos comentários do meu álbum de Cabo Verde no Orkut que o meu trabalho é um privilégio. E é verdade. Não foi fácil (e acho que nunca será) assumir a opção de ser escritora profissional e viver disso. Mas as compensações são arrebatadoras. Acho que ainda vou precisar de um tempo para compreender a dimensão desse trabalho em Cabo Verde em mim. O que tenho a dizer sobre tudo isso virá, um dia, em forma de texto literário. Por hora o que faço, a todo instante, é agradecer a Deus por tudo isso.
De coração: muito obrigada!
Escrito porSocorro Acioli
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7:52 AM
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Cabo Verde

No último dia de atividades em Cabo Verde, fui a escola 13 de janeiro, no Palmarejo, para conversar com um grupo de professores sobre literatura em sala de aula. Foi um encontro rápido, no intervalo de aula, mas deu pra render uma boa conversa. Li para eles o livro "O mistério da professora Julieta", fazendo uma ponte com o trabalho que eles desenvolvem com os alunos, as dificuldades, os problemas das crianças. Algumas professoras contaram histórias interessantes sobre como superaram dificuldades em sala. Eu sempre gosto de conversar com professores. E acho que é neles que está metade da chave para mudar a educação. A outra metade está na família.
Escrito porSocorro Acioli
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9:42 AM
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Cabo Verde
“... e eu invento o que escrevo escrevendo para me
inventar e tudo me adormece porque tudo desperta a secreta
voz da infancia”.
Mia Couto
Escrito porSocorro Acioli
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10:47 AM
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Infância

O escritor caboverdiano Arménio Vieira ganhou o Prêmio Camões em 2009, o mais importante da língua portuguesa. Fiquei curiosa para saber mais sobre ele. Comentei o assunto com a Marilene Pereira, diretora do Centro Cultural Brasil Cabo Verde e ela teve a delicadeza de entrar em contato e avisar que eu gostaria de conhecê-lo. Foi um encontro corrido, entre uma palestra e outra. O local foi o Café Sofia, para onde Arménio vai todos os dias das 10h as 12h. Cheguei, sentei e observei a maneira peculiar como ele aproxima-se com palavras, lentamente, do seu interlocutor.
Dei dois livros meus de presente para ele. Em um deles, Arménio localizou uma palavra nordestina que o remeteu aos anos de sua infância em Cabo Verde. Porque as palavras tem o poder de construir pontes impossíveis.
Ainda não li nada dele. Rodei a cidade em busca de seus livros e não achei nenhum. Tudo esgotado depois do prêmio. Sigo curiosa.
O meu é só um registro afetivo do dia em que encontrei, pela segunda vez, um ganhador do Prêmio Camões. A primeira foi a Rachel de Queiroz.
Escrito porSocorro Acioli
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1:20 PM
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Cabo Verde

Esse título em crioulo eu retirei da música "Seu", da Mayra Andrade. Combina com Cabo Verde.
Minha programação foi bem corrida, mas deu tempo de conhecer um pouco da Ilha de Santiago e de gostar da cidade da Praia. A ida ao mercado do Sucupira era obrigatória. Comprei tecidos, vestidos e o Jogo de Oril, tradicional de vários países da África. Agora é vício aqui em casa. Conheci as livrarias da cidade, com destaque para a Nhô Eugênio, que eu adorei. Fui também à Harmonia, principal loja de discos, ao café Sofia, alguns supermercados e um pouco pelo centro da cidade de Praia. O Ilhéu de Santa Maria, onde estão as ruínas de um antigo leprosário, foi o meu ponto de encanto maior.
Andamos pela praia do Quebra Canela, no calçadão que vai "do nada a lugar nenhum" como diz a Neda. No último dia fomos a Cidade Velha, a 15km de Praia, Patrimônio Mundial da Humanidade, pela Unesco. Essa foi a primeira cidade portuguesa na África e você pode saber mais sobre essa história clicando aqui e também aqui. Logo acima da cidade há o Forte Real de São Filipe, onde vivi a experiência de entrar completamente sozinha e sentir de forma intensa a energia do lugar. A primeira visita a África é muito marcante. Ao menos foi para mim. Quando pisei na areia negra da praia da Cidade Velha, não pude deixar de sentir angústia ao olhar para o mar. Meio século é pouco para tempo para esquecer. E por que esquecemos?
O Ilhéu de Santa Maria
Escolhendo tecidos no Sucupira. Foto da Neda.
Livraria Nhô Eugênio. Lendo Mia Couto...
... e encontrando amigos que estavam na minha palestra.
Rua da Banana, na primeira cidade portuguesa na África.
O Forte de São Filipe

Praia de pedras

A cor da areia me encantou.
Escrito porSocorro Acioli
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8:06 PM
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Cabo Verde
Uma das coisas mais legais da viagem a Cabo Verde foi ter reencontrado a Neda, que está morando lá desde o ano passado e me hospedou com requintes de rainha. Entre uma palestra e outra, foi bom demais estar com ela, com seu marido super legal, sempre inteligente e "chuchante" e seu filhotinho lindo que construiu um navio pirata no meu coração. Além dos gatos, Blanquito e Biscoito, a quem aprendi a amar. Lá eu me sentia em casa e eles fizeram tudo o que podiam e não podiam para fazer dos meus dias em Cabo Verde inesquecíveis. E eu, comovida, agradeço.
Ela me disse que a expressão que elegeu como a mais bonita no crioulo é "nha kretcheu", que significa meu/minha querido(a). Não existiria outra forma de intitular esse post.
A Neda me conhece muito bem, acompanhou várias fases da minha vida. Era ela quem estava comigo no Gtalk ano passado, diariamente, me ajudando a superar o momento mais difícil que vivi nos últimos anos. Sempre temos coisa boa pra conversar. Sempre tenho o que perguntar e aprender. Ela me conhece, me entende, me respeita e me aceita como sou. Por isso somos amigas. Mais que isso: ela é uma irmã que a vida me deu.
Neda, nha kretcheu: obrigada! Você é a como a Irene, do Manuel Bandeira: sempre boa, sempre de bom humor.


Comendo uma pizza no Kapo. Neda, Pilata do Talibe, eu, João e Carlos Alberto, jornalista brasileiro que vive em Angola e escreve o Diário da África.
Escrito porSocorro Acioli
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8:05 PM
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Cabo Verde
Depois de uma semana de palestras, leituras e histórias, chegou o dia da oficina de produção literária com os alunos da Escola Girassol, trazidos com todo carinho pela professora Edna e pela Karla, diretora da escola. A idéia era que cada criança escrevesse e ilustrasse um pequeno livro de história. A Elaine, que trabalha no Centro Cultural Brasil Cabo Verde, foi meu braço direito nessa atividade e agradeço aqui, publicamente, porque sua ajuda fez toda diferença. Ela preparou os livros em branco, recebeu as crianças na porta do Centro, apresentou-as a mim e me ajudou a organizar o espaço. Todos sentaram nas mesas coloridas da biblioteca infantil, com os olhinhos curiosos, me olhando e esperando a mágica que anunciei: eles sairiam dali escritores, com sua obra nas mãos.
Fiz uma rápida explicação de estrutura narrativa para eles, de forma super facilitada e usando os contos de fadas que eles conheciam como exemplo. Depois fiz uma proposta: comecei uma história - ambientada na cidade de Praia, a terra deles - e cada um precisava continuar à sua maneira. Fui acompanhando o desenrolar do trabalho dessas trinta crianças e o resultado foi uma emoção, uma surpresa. Cada um fez do seu jeito. Foram histórias de amor, aventura, casos engraçados. Uns deixaram o personagem principal sozinho, outros arrumaram amigos para ele. As crianças não paravam de escrever, de me chamar para mostrar o texto e tirar dúvidas de português. Cada palavra escrita, cada flor desenhada ficou gravada no meu coração. Fico imaginando esses meninos e meninas chegando em casa, mostrando o livro pra família, guardando, escrevendo mais histórias. Terminei com a sensação confortante de felicidade e esperança de que a literatura é uma força revolucionária. Essas crianças podem muito! São contadores de histórias, só precisam de incentivo e apoio. E eu agradeço muito pela oportunidade de ter feito parte desse dia feliz da vida de cada um. A seguir, algumas fotos dessa turma que invadiu meu coração sem limite.




Os escritores e seus livros


Todos juntos, cada um com seu livro na mão!
Escrito porSocorro Acioli
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2:53 PM
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Fui a Cabo Verde para uma semana de atividades no Centro Cultural da Embaixada do Brasil e vivi um dos momentos mais bonitos da minha vida profissional. Foram quatro palestras para crianças, uma para professores e uma oficina de escrita criativa para crianças também, sem dúvidas o momento mais mágico da semana. Planejei as palestras da forma que sempre faço: um pouco de conversa sobre cada um dos meus livros, sobre a profissão de escitora, terminando com a leitura completa de um dos textos. A primeira escola que recebi foi a Capelinha, a turma da professora Júlia, um grupo atento e que gosta de ler. Falei sobre as temáticas dos meus livros: as festas de São João no Brasil, o movimento da Padaria Espiritual, os fósseis do Cariri, os cajus... e eles bebiam cada palavra com atenção e brilho nos olhos. Nunca vi uma turma de crianças tão emocionada com o que estava ouvindo.
Quando recebi a turma da escola 13 de janeiro, da professora Madalena, tive a intuição de pedir que eles também me contassem suas histórias depois que eu terminasse de ler os meus textos. Foi aí que descobri que, em Cabo Verde, antes de começar a contar algo, em crioulo ou português, eles dizem: stória, stória. Não por acaso, esse é o título do segundo CD da Mayra Andrade.
Deu muito certo. As crianças não paravam mais de contar seus causos, todos muito engraçados, ambientados em Cabo Verde, no mundo deles. Os meninos e meninas falavam sorrindo, expressivos, felizes. Contavam as histórias que ouviam dos pais, tios e avós. Um deles me disse que sabe muitas histórias porque sempre falta luz na sua casa. Quando isso acontece todo mundo se senta e cada um vai contando o que sabe. Foi um grande privilégio poder ouvir isso tudo contado por eles, do jeito que percebem e sentem. Aconteceu entre nós, de fato, uma troca. Levei pra eles o melhor que posso dar: meu afeto e minha literatura, marcadamente brasileira e nordestina. Mas acho que recebi muito mais. Trouxe de presente a verdadeira força e beleza do povo caboverdiano: a voz das suas crianças, narradores do presente e do futuro.
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Escrito porSocorro Acioli
às
8:03 AM
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