Ainda sobre a Bolívia

De fato a série sobre a Bolívia ainda não acabou. Faltam as fotos e os relatos sobre o meu trabalho, o curso e as palestras. Tudo foi registrado por outras pessoas - já que eu estava ocupada - e ainda não recebi as fotos.
Falta também divulgar as receitas da quinua e do curry de tubérculos - farei uma variação, já que aqui não tem os que tem lá.
Em breve cumprirei as promessas.
Voltarei ao blog na quarta-feira, a semana está apertada de trabalho, felizmente.
A parte boa da conversa é que voltarei com novidades.

Escrito porSocorro Acioli às 7:10 PM 2 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Fui feliz na Bolívia - As comidas

Vou terminar a série sobre a Bolívia falando de comida, porque hoje é sexta-feira e nós merecemos.
Não posso dizer que comi como uma legítima boliviana nesses dias. Eu quase não fui a restaurantes locais. Para minha grande sorte, a maioria das minhas refeições foi feita na casa da Cláudia, minha anfitriã, preparadas pela Martha, uma boliviana de Potosí que cozinha desesperadamente bem. Ela cozinha com tanto prazer que a comida dela engorda a gente de alegria. Adorei a Martha. Sua sincera felicidade me comoveu.
Minha grande paixão culinária foi a quinua, o grão de ouro dos andes. Eu já conhecia, comprei algumas vezes aqui mesmo no Brasil, mas não sabia ainda a forma certa de preparar. Martha me ensinou. A quinua, além de deliciosa, tem um alto valor nutritivo. Trouxe dois quilos pra casa, com as variedades de quinua preta e vermelha que eu não conhecia. Isso sim, é comida do altiplano.
Outra coisa deliciosa na Bolívia são os tubérculos. Uma variedade impossível de decorar. A Cláudia bolou um curry de tubérculos andinos que ficou um espetáculo. Vocês verão nas fotos.
Não posso deixar de contar um dos pontos altos da viagem. No sábado a Cláudia ofereceu um jantar na casa dela, em minha homenagem, para todo o pessoal da Embaixada, além de alguns amigos dela. Para a festinha ela contratou o serviço de buffet super interessante. A comida era servida em potinhos e copinhos. Foram cerca de dez pratos, um atrás do outro. Salada de quinua, salada verde com milho, ceviche, risoto e uma sobremesa inesquecível. Tudo regado com excelente vinho, suco de tumbo, decorado com flores e à luz de velas. Se ela disse que eu mereço, eu agradeço!
Mesmo com essa farra voltei 300g mais magra. Não é muito, eu sei, mas não ter engordado em onze dias de comida da Martha é quase um milagre.
E aqui termina a série "Fui feliz na Bolívia". Fui mesmo. E espero que vocês tenham sido contaminados com a minha felicidade.



Conversando e comendo. O jantar foi super legal!


Salada de quinoa no copinho, para começar.


Uma outra saladinha que eu nem provei, mas fotografei. Acho que era ceviche.


A sobremesa do buffet em fase de acabamento. Eu me acabei.


Essa é a Martha. Sangue quechua, mãos de fada, coração de ouro.


Clôzinha, a dona da casa, servindo. Eu, Rosana e João Gilberto Noll, adorando!



Salada de trigo andino.


Salada de brotos, folhas e figos.

Tomatinhos rellenos com trigo andino.


Tortilla de batata.


¡Casi listo, señora!

Curry de tubérculos andinos. Criação da Cláudia.

Salada de grão de bico.

Escrito porSocorro Acioli às 9:10 AM 2 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Fui feliz na Bolívia - Copacabana


Era uma vez um lago enorme, lindo e azul. Um certo dia, um jovem pescador que andava por lá avistou uma mulher vestida com um manto dourado sobre uma meia-lua. Era Maria, Nossa Senhora, mãe de Jesus. Encantado, o rapaz mandou esculpir uma imagem igual ao que tinha visto naquele ponto do lago chamado Kota Kahuana, que em aymara significa "vista do lago". Do aymara para o espanhol o nome virou Copacabana e a imagem foi então batizada de Nossa Senhora de Copacabana.
A virgem passou a ser considerada protetora dos homens das águas e era sempre levada por embarcações que saíam mundo afora. Foi assim que uma das imagens chegou a uma praia brasileira e ganhou um altar com a construção de uma pequena igreja chamada Nossa Senhora de Copacabana, que deu nome ao nosso famoso bairro.

Obviamente, eu visitei Copacabana. É um passeio imperdível! A Cláudia organizou um esqueminha perfeito para gente. Fomos eu, ela e a profa Lívia em uma van guiada por Santiago, o guia perfeito. Ele tem a resposta para qualquer pergunta: altitude, temperatura, geografia, lendas, mitos, religião, gastronomia, costumes, idiomas. Nunca vi igual.

Eu poderia escrever muito sobre esse dia, mas blog é lugar de texto curto. O ponto alto da cidade é a Igreja de Copacabana. Fomos no dia da benção dos carros e vimos centenas de automóveis enfeitados de flores esperando a benção das dezenas de padres que aspergiam água benta no meio da rua. Eu tomei um banho de água benta e estou protegida por décadas.

Outra coisa curiosa são os milagres à venda. Há uma barraquinha onde o fiel pode comprar uma miniatura do pedido que quer fazer à Nossa Senhora. Pode ser um carro, uma casa, dinheiro, saúde e até filhos. Eles vendem uma miniatura de bebê com a certidão de nascimento. O procedimento é entrar na igreja, mostrar a prenda pra Santa, preencher com o nome dos filhos e dos pais e pedir à Nossa Senhora que conceda a graça da maternidade. Só pra constar: eu segui o ritual e pedi mais dois filhos.

É por isso tudo e muito mais que eu sou apaixonada pela América Latina.

Uma rua linda que se chama...



Kota Kahuana, restaurante do Hotel Rosario del Lago, o melhor de Copacabana.


Vende-se milagres Nossa Senhora de Copacabana está logo ali atrás, pode acreditar.

A igreja.

A fé não costuma falhar.

Escrito porSocorro Acioli às 7:56 AM 1 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Paixão por baunilha



Interrompemos a série sobre a Bolívia para publicar este link para uma matéria do Diário do Nordeste sobre baunilha. A repórter encontrou meu post, falando do extrato de baunilha caseiro e registrou minha paixão no texto, contando os detalhes da minha compra de favas com a Luna. Imperdível.

Escrito porSocorro Acioli às 2:20 PM 1 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Fui feliz na Bolívia - As ilhas flutuantes

Eu estava sabendo da possibilidade de ir a Bolívia desde o ano passado. Tive tempo para ler muito e fazer a minha listinha de lugares que eu gostaria de conhecer. Definitivamente, a coisa que mais me encantou desde o princípio foi a imagem das ilhas flutuantes do Lago Titicaca.

Essas ilhas foram inventadas originalmente pelos Uros, uma tribo que teve a brilhante idéia de viver no meio do lago para fugir dos predadores. São feitas de totora, uma planta fibrosa e resistente que cresce nas margens e nas águas do Titicaca. A ilha inteira é feita de totora, as casas, tudo. Parece que estamos pisando em um colchão. Os índios que moram lá desenvolvem problemas de coluna pela falta de firmeza do solo.

As ilhas originais e bem maiores ficam no lado peruano do lago, indo pela cidade de Puno. São gigantescas e as pessoas moram nelas de verdade. Tem escola, igreja e muitas casas. Claro, será parada obrigatória quando eu for ao Peru. A que conheci, Titi - Huata, era pequenina, mas foi o suficiente para me inspirar. Realizei o sonho de ir até lá graças a Cláudia, nossa cônsul super querida, que organizou uma viagem perfeita para nós três - eu, ela e Lívia, a professora de Niterói de quem vou falar depois. Quem leu "O anjo do lago" vai entender melhor ainda porque eu estou tão feliz nas fotos.



Assim mesmo, em inglês.


Cláudia, Lívia, eu e Santiago, o nosso super guia. Ele sabe todas as lendas do Titicaca.

Eu não parava de andar de um lado para o outro. E o Santiago adorava fotografar.

Vizinhança tranquila.



Casita de totora.

Escrito porSocorro Acioli às 7:33 AM 2 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Fui feliz na Bolívia - o Soroche


La Paz está em média a 3600m acima do nível do mar, com variações. A altitude causa uma série de efeitos no organismo, que vão da falta de ar e dor de cabeça ao edema pulmonar: isso é o soroche.

Dos 9 dias que passei na Bolívia, em 6 eu teria que dar aulas e palestras e não poderia me dar ao luxo de adoecer, por isso me informei muito sobre o soroche antes de ir. Existe uma pílula chamada Soroche Pills, que vendem no aeroporto, mas eu descobri que não poderia tomar porque é feito com AAS e eu sou alérgica.

Meu primeiro impacto no altiplano foi quando desci do avião em La Paz e dei uma corridinha até o saguão do aeroporto para fugir do frio. O coração quase explode. Nada de emoção, era taquicardia mesmo. Fiz um minuto de silêncio por todos os jogadores de futebol que sofrem ali. Correr por 90 minutos nessa altitude é desesperador. Aprendi rapidinho a andar devagarinho. Foi meu único sintoma durante toda a viagem. Ouvi casos terríveis de gente que passou muito mal, mas eu escapei do soroche. Além de ter uma saúde de ferro eu também contei com um aliado natural: o mate de coca. Há milênios os povos do altiplano descobriram que mascar a coca ou tomar o chá ajuda a reduzir os efeitos do mal de altura. A folha para eles é quase sagrada. Comecei a tomar logo no avião e continuei na base de quatro xícaras por dia a viagem inteira.

Todo mundo me pergunta se o chá dá barato, se entorpece e se tem o efeito da droga. Não, não tem. De coca para cocaína o caminho é muito longo. O chazinho é inocente e milagroso. Graças a ele, trabalhei tranquila e curti a viagem sem tomar conhecimento dos efeitos do soroche.

Escrito porSocorro Acioli às 11:06 AM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Fui feliz na Bolívia - A Lei Natural dos Encontros

A melhor coisa que trago de uma viagem são os novos amigos. Eis minha galeria de afetos bolivianos, para sempre no coração.
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Rosana, Evandro, Clô, Priscilla, Lívia e eu, a super turma da Embaixada.
A diplomata, a professora e a escritora. Trio parada dura.

Alguns dos meus alunos no Curso do Centro Cultural Brasil - Bolívia


Priscilla, que me deu muitas dicas sobre como manter os cachinhos


Clôcita, a cônsul! Agora amiga e irmã.

João Gilberto Noll, eu e Lívia Reis.


Maribel!


Rosana, eu, Noll e Cláudia

Martha, que cozinhou divinamente para mim todos os dias


Clô e nossos brindes diários.










Escrito porSocorro Acioli às 10:24 AM 3 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Fui feliz na Bolívia - A Rua das Bruxas

Uma cholita e alguns turistas. Cena típica de La Paz.
Tem uma barraca de bruxa bem ali...

Sacadas de madeira. Adoro.

Com Cláudia, minha anfitriã mais que perfeita.



Sagárnaga com Linares, centro de La Paz.

Antes de ir a La Paz fiz uma pesquisa sobre a cidade e listei alguns lugares que eu gostaria muito de conhecer. Entre eles estava a Calle de Las Brujas. Achei o máximo. Minha filha ficou animadíssima, imaginando algo como o beco diagonal do Harry Potter. Infelizmente não era bem assim. Na verdade eu não consegui nem chegar perto por causa do cheiro insuportável. Lo que pasa és que eu estava em La Paz em agosto, o mês em que a Pachamama (mãe terra) abre a boca e espera as oferendas. Entre os alimentos preferidos da deusa estão os fetos de llama, seus filhos perdidos. As tendas das bruxas são cheias de fetos e filhotes de llama secos e o cheiro é insuportável. Bichos mortos, cheios de pelos, ali, olhando pra gente. Se tinha mais alguma coisa interessante nas mesas das bruxinhas, eu não sei. Impossível chegar perto. Tenho o maior respeito pela Pachamama, mas se eu fosse oferecer algo, preferiria os caramelos. A Pachamama também adora doces.


Por sorte, descendo a rua das bruxas, descobri a Calle Linares. Um paraíso de artesanatos baratos, aguayos, cholitas simpáticas e casas em estilo colonial. Fui três vezes até lá nos intervalos das minhas aulas, por isso a esquina Sagárnaga com Linares merece um post só pra ela na série "Fui feliz na Bolívia".



Escrito porSocorro Acioli às 8:45 AM 6 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Passei no DELE Superior!


Acabou de sair o resultado: agora eu tenho o Diploma de Espanhol como Língua Estrangeira - Nivel Superior, com nota 92. Valeu muito a pena estudar tanto.
Acho que mereço jantar tortilla com vinho hoje...

Escrito porSocorro Acioli às 2:50 PM 5 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Fui feliz na Bolívia


Eu, o Lago Titicaca e a Cordilheira.




Fui muito feliz na Bolívia. Estou desarrumando a mala, reorganizando a vida e matando as saudades dos meus dois amores que me esperavam cheios de sorrisos.
Aos poucos, fotos e relatos, por categoria. Aguardem.

Escrito porSocorro Acioli às 4:57 PM 1 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Yo tengo tantos hermanos...

Estou na Feira do Livro de La Paz. Fui convidada pela Embaixada do Brasil para dar duas palestras e um curso durante o período da feira do livro. Muito trabalho, sim, mas passeios incríveis também.
A cidade é absolutamente surpreendente. As pessoas, o mate de coca, as cholitas, a quinua, as montanhas... estou encantada!
Nao tenho acesso a internet, praticamente me desintoxicando. Na volta eu conto tudo, com fotos.

Escrito porSocorro Acioli às 4:55 PM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Gabriel Buchmann

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Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores

E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,

(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora

FERNANDO PESSOA

Escrito porSocorro Acioli às 2:28 PM 0 Barulhinho bom... Links para esta postagem  

Mala vermelha em ação


Recesso no blog.
Eu e a Sra. Mala Vermelha estamos de partida. Ainda tenho alguns dias, mas a To Do List não para de crescer. Mandarei notícias de onde eu estarei. Prometo muitas fotos. Prometo comprar máquina nova. Prometo falar qualquer cosinha no TWITTER de vez em quando. Prometo comer coisas gostosas e aprender novas receitas. Prometo fazer novos amigos. Prometo aventuras e novidades. Prometo trabalhar muito e honrar a literatura brasileira. Prometo muitos dias de posts legais em troca da sua fidelidade como leitor na minha volta. Hasta pronto.

Escrito porSocorro Acioli às 9:08 PM 3 Barulhinho bom... Links para esta postagem