
Há alguns anos cheguei a assistir poucos episódios dos programas do Jamie Oliver, acho que a série da época era The Naked Chef. Tudo apressado demais, mas nunca esqueci o truque dele para descascar alho e uma torta de banana feita especialmente para a avó do Jamie e suas amiguinhas. Ontem assisti pela primeira vez um episódio da série Jamie at Home e caí de amores. Era um especial sobre batatas. Poderia passar o dia inteiro vendo todos os programas (felizmente eu só tenho um, estou cheia de trabalho para terminar).
A idéia da série é cozinhar com os ingredientes que ele cultiva em uma fazendo muito legal em Essex. Claro, ele usa carne,peixe, frango, mas eu concentro meu foco nos pratos vegetarianos. Para meu espanto, agora estou interessadíssima em plantar batatas na varanda do meu apartamento.
A Borboletinha assistiu comigo e na hora comparou com a Nigella: sim, os homens são um pouquinho mais bagunçados, minha filha, mas o que interessa é que ele cozinha muito bem e, cá pra nós, a comida do Oliver é mais saudável. São propostas diferentes.
Lendo mais sobre o chef, achei super legal o trabalho que ele fez nas escolas inglesas, tentando modificar os hábitos alimentares das crianças e conseguindo que o governo acatasse a idéia. O trabalho gerou um documentário que estou louca pra assistir.
Se há uma coisa que me estimula nessa vida é ver alguém se dar bem e ser feliz fazendo o que gosta. E eu tenho certeza de que todo mundo chega por aqui com alguma coisa para fazer em benefício dos outros. Quem descobre o que é consegue ser feliz. O Jamie Oliver descobriu.
Escrito porSocorro Acioli
às
1:32 PM
Marcadores:
Cozinha


Um dos presentes mais legais que ganhei no meu aniversário: The wolves in the walls foi, oficialmente, o primeiro livro que li do Neil Gaiman. Quem deu foi a Luna, uma das melhores amigas que fiz por causa da Internet. Este livro conta a história de Lucy, uma menina que mora em uma casa antiga, com seus pais e seu irmão. Um dia ela começa a ouvir sons dentro das paredes e tem certeza de que são lobos vivendo ali. Ninguém da família acredita, até porque "if the wolves come out of the walls, then it´s all over". Acreditar na história da menina seria condenar a família a uma catástrofe, o que de fato aconteceu. Não vou contar mais porque parte da qualidade no livro está no tempo certo das surpresas.
O texto é muito bom, tanto enredo quanto linguagem. Não sei se uma tradução conseguiria preservar a sonoridade que o autor alcançou. Ele escolheu tão bem as palavras que o leitor quase consegue escutar os lobinhos sussurando no meio das paredes.
O ilustrador, Dave McKean, é um arraso. Ele usou as cores certas para o clima sombrio de casa velha onde coisas podem acontecer. McKean trabalha com fotos, técnica que eu adoro. Nos dois livros meus em que participei do projeto gráfico, É pra ler ou pra comer e A Casa dos Benjamins, eu sugeri ao Daniel Diaz que usasse fotos e ele fez isso super bem. Mr. Gaiman tem mais uma grande fã. Ele fala de coisas que as pessoas acham que não se deve falar para crianças, como se o silêncio evitasse que sentimentos como o medo existisse no coração delas.
Luna, publicamente: muito obrigada. É inspirador para mim ter esse livro. Acho que algumas coisas vão mudar no meu trabalho por causa dele.
p.s! Vejam aqui Neil Gaiman lendo The Graveyard Book
Escrito porSocorro Acioli
às
9:00 AM
Marcadores:
Leituras
Chimichurri
Terça-feira, Maio 26, 2009

Ganhei um saquinho de chimichurri, um molho argentino que eles comem com churrasco, mas que eu vou já comer no meu almoço vegetariano. Depois eu conto o que achei.
Atualização: é apimentado mas é gostoso!
Escrito porSocorro Acioli
às
12:41 PM
Marcadores:
Cozinha

Os Roedores de Livros - Ana Paula e Tino Freitas - escreveram sobre o Tempo de Caju no blog deles. Para quem não conhece, os Roedores tocam um projeto lindíssimo de incentivo à leitura, artes e música na Ceilândia, entorno de Brasília (cantei tanto a Ceilândia por causa do Renato Russo...).
Sou grande admiradora do trabalho deles. Os dois têm investido muito no conhecimento sobre LIJ, estão em todos os eventos e discussões importantes do Brasil, já conhecem todo mundo e
falam de literatura infantil com muita segurança e propriedade. Tudo isso me deixa mais feliz ainda com a divulgação que eles fizeram do meu livro.
Aproveito pra contar que o Tino vai lançar o primeiro livro dele agora em junho, no Salão da FNLIJ. Entrando com pé direito: ilustrado pela Massarini e editado pela Manati.
Escrito porSocorro Acioli
às
12:32 PM
Marcadores:
Roedores de Livros,
Tempo de Caju
Marmite
Segunda-feira, Maio 25, 2009

O professor de inglês do meu marido acaba de me apresentar a mais um produto alimentar popular entre os ingleses: marmite. Por apresentar entendam falar sobre. Ainda não vi de perto o negócio. Pelo que entendi, é uma pasta, de cheiro forte, obtida a partir da levedura da cerveja e que divide opiniões. Alguns amam, outros odeiam. Para os que gostam existem até kits de sobrevivência como este logo abaixo.
Ok, eu faria de tudo para provar isso HOJE. Não faço idéia se vou gostar ou não, mas quero provar. Ando com fixação por tudo que vem da Inglaterra - só pode ser lembrança de vidas passadas, não vejo outro motivo.

Atualização: eu provei. A Lili tem razão, lembra um molho de soja bem pastoso, missõ, algo assim. Nem adorei nem odiei.
Escrito porSocorro Acioli
às
10:56 AM
Marcadores:
Descobertas,
Estudando Inglês

Ganhei ontem, presente do sogro. Daqueles sem motivo, sem data especial, só porque viu e lembrou.
Escrito porSocorro Acioli
às
11:32 AM
Marcadores:
Leituras
Elma
Sexta-feira, Maio 22, 2009

Eu reconheço um bom ilustrador quando as suas imagens me inspiram, aumentam minha vontade de escrever e encher de letras o mundo que ele criou com cores e traços.
Foi o caso dessa imagem da Elma, que me impactou tanto e me fez retomar um projeto do qual eu gosto muito e que estava na gaveta. Decididamente, Elma, você vai ilustrar esse texto que está nascendo.
Escrito porSocorro Acioli
às
10:53 AM
Marcadores:
Inspiração,
Meus amigos são incríveis,
Processo de criação
Um presente!
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Leitores queridos,
O livro Tempo de Caju faz parte da coleção de literatura do Programa de Alfabetização na Idade Certa da Secretaria de Educação do Estado do Ceará.
É um livro não comercial, que será distribuído gratuitamente para os municípios, com uma tiragem de 40 mil exemplares.
A partir de hoje, você também pode ler o Tempo de Caju na íntegra. Basta clicar na imagem da capa ao lado, ou clicar aqui.
Escrito porSocorro Acioli
às
6:23 PM
Marcadores:
Lançamentos


A Companhia das Letras relança, aos poucos, a obra de Lygia Fagundes Telles. Os livros estão de roupa nova, com a arte belíssima de Beatriz Milhazes. No site da editora você pode assistir um vídeo com a opinião da própria Lygia sobre as novas edições, onde ela confessa os segredos da revisão e alterações dos novos livros.Nota mental: preciso descobrir como chegar aos 86 anos com a lucidez e beleza dessa mulher.
Escrito porSocorro Acioli
às
10:16 AM
Marcadores:
Leituras


Tocar o livro pronto pela primeira vez é um dos maiores prazeres da minha profissão.
Escrito porSocorro Acioli
às
7:39 PM
Marcadores:
Lançamentos,
Pequenos prazeres

Eu assistia "Caverna do Dragão" na infância e isso me causou um problema: até hoje acredito no Mestre dos Magos. Ele surgia quando os heróis mais precisavam. Dizia dois a três enigmas com informações importantes para a vitória dos mocinhos. Algo como "siga a pedra azul" ou "não acredite na espada que brilha". E quando alguém tentava perguntar alguma coisa, quando, como, onde... ele já não estava mais ali.
Fiquei com essa coisa na cabeça, de que existe sempre alguém que sabe a resposta certa. E que existe um caminho traçado, que eu posso seguir ou não. Já aprendi que quando não dá certo é porque o troço só me desviaria de um objetivo melhor.
E aprendi também que se uma porta não abre na terceira batida, é melhor desistir.
Mas hoje, exatamente hoje, eu queria agendar uma audiência com o Mestre dos Magos e fazer três perguntinhas. Só peço que ele não apareça dentro do carro quando eu estiver dirigindo sozinha, especialmente se for dia de chuva. Tomar um susto no trânsito não me ajudaria em nada a encontrar respostas.
Escrito porSocorro Acioli
às
9:23 AM
Marcadores:
Querido diário
Passeio
Terça-feira, Maio 19, 2009

Saí de um dicionário e caí em outro.
Escrito porSocorro Acioli
às
2:09 PM
Marcadores:
Estudando Inglês
Maria Moliner
Sexta-feira, Maio 15, 2009

Eu não sei que síndrome é essa, mas eu adoro fazer provas.
Por isso estou no meio de uma maratona de testes de Espanhol no qual me meti por vontade própria y con mucho gusto. Minha grande companheira desses dias chama-se Maria Moliner, a mulher que escreveu o melhor dicionário de Espanhol do mundo - na opinião de Garcia Márquez e na minha também. Depois de tudo isso vou me dar de presente um box de DVDs do Almodóvar e fazer uma maratona. Ainda não decidi que tipo de comida combina com os filmes dele. As personagens do Almodóvar não costumam sentir fome, pelo que lembro. E foi procurando vídeos para ouvir o máximo de Espanhol puro possível que descobri essa pérola: uma série de sete vídeos com uma entrevista do Almodóvar com as atrizes de Volver. Divertido, profundo, lindo. No momento, moro dentro de um dicionário. Na segunda-feira eu volto.
Escrito porSocorro Acioli
às
12:06 PM
Marcadores:
Estudando espanhol
A gravidez. O belíssimo parto. Três anos de amamentação. Primeiras palavras. Primeiros passos. O começo na escola. Viagens. Livros. Tantos filmes. Mudança dos dentes. Primeiras letras. Bilhetinhos apaixonados. Momentos infinitos de carinho. Seis anos...
Parabéns, Borboletinha! Obrigada por ter escolhido a mim como sua mãe. Você é minha ponte para a terra dos Felizes Para Sempre!
Escrito porSocorro Acioli
às
8:29 AM
Marcadores:
Borboleta mãe

Estou super atarefada, com trabalho atrasado, uma prova dificílima chegando, assuntos profissionais pendentes, aniversário da Borboletinha em poucos dias, tudo ao mesmo tempo. Talvez eu não atualize o blog diariamente ao longo da semana, mas peço compreensão e paciência.
Andei atualizando minha lista de blogs e sites indicados, vale a pena passear por lá. Sugiro especialmente um blog muy lindo que acabei de descobrir: Cannelle et Vanille. Já já eu volto, com um sorriso e boas notícias.P.s! Só para registrar: quatro meses sem café, quatro meses sem enxaqueca!
Escrito porSocorro Acioli
às
8:42 AM
Marcadores:
O Blog,
Saúde
.
.
.
.
.
.
.
Quem não deixa de caminhar, mesmo que tarde, afinal chega.
(Santa Teresa de Ávila)
.
.
.
.
.
.
.
Escrito porSocorro Acioli
às
9:17 AM
Marcadores:
Inspiração,
Outros caminhos...

Não existe leitura mais relaxante na internet do que os blogs de culinária, principalmente os que são escritos por blogueiras que moram no exterior.
Agora, por exemplo, os blogs europeus são uma alegria só. Começou a temporada de refazer as hortas e jardins, plantar temperos, árvores frutíferas, admirar as flores. A Marcinha, por exemplo, quase me faz chorar contando sua saga de pesquisas pela melhor categoria de macieira para plantar na sua casa na sessão Tales of the garden. Eu queria muito uma vida assim. Adoro acompanhar as cestas de orgânicos que o pessoal recebe, um estímulo à criatividade. Quem já lidou com esse tipo de serviço sabe que uma cesta nunca é igual à outra, depende da estação e da safra. As meninas dos blogs que leio sempre comentam que precisaram pensar em receitas com determinada fruta ou legume que vieram em exagero na cesta da semana.
Outra coisa de que gosto muito é descobrir receitas típicas, que atravessam gerações. Minha descoberta mais recente e fascinante foi o trifle, cuja foto embeleza este post.
O trifle é uma sobremesa inglesa. Sua lógica é: uma camada de bolo fatiado, regado com suco, licor ou outra bebida, uma camada de frutas de sua preferência e uma camada de custard, um creme de baunilha suave e divino. As camadas se alternam e formam um espetáculo de cores e texturas diferentes. Na foto vem primeiro a fruta e depois o bolo e creme. Talvez não faça diferença no final, mas eu prefiro a base de bolo.
Para conhecer meu paraíso virtual, veja a lista dos meus blogs preferidos ali abaixo, no item Comer para Viver.
São poucos porque sou muito exigente. O blog precisa ser caprichado, ter um layout limpo, bem escrito e com boas fotos. Nisso ninguém supera o Chucrute com Salsicha e o A vida escrita a mão. Esse último é o meu preferido e eu considero o mais bonito e inspirador de todos. No post mais recente ela fala sobre o composto, um reservatório para depositar lixo orgânico. Tínhamos isso na casa onde moramos na Alemanha. Que saudade...
Escrito porSocorro Acioli
às
8:13 AM
Marcadores:
Cozinha,
O Blog
Sete Saias
Sábado, Maio 02, 2009
(Socorro Acioli)
Minha infância estava ali, nos olhos antigos daquela boneca. Na cola seca e amarelada sob os pés de plástico. Minhas mãos tocavam de novo a roupa costurada ponto a ponto pelas mulheres do outro lado do mar. Dentro daquele olhar voltei aos sonhos dos meus nove anos.Lembrei de minha mãe chegando da viagem, segurando a saudade embrulhada em um papel vermelho. Meu presente: a boneca das sete saias. Na pequena base onde naquele tempo seus pés ainda estavam colados havia uma plaquinha escrito a palavra Nazaré.
- É o nome dela?
Não. Era o nome de onde ela vinha. Nazaré, uma cidade litorânea de Portugal. Minha mãe pegou o mapa e traçou uma linha. Do mar daqui ao mar de lá. As mulheres faziam as suas saias, uma por uma, costurando todas as esperanças. Sentavam com elas na praia e esperavam pelos maridos pescadores, há dias em alto mar.
Eram sete saias para dar sorte. Porque são sete as notas musicais e as cores do arco-íris. A música e as cores são o testemunho da perfeição, disse minha mãe, com voz de sinfonia e olhos de outono.
Quando reencontrei minha infância, repeti com as pontas dos dedos o que fizemos naquele dia. Primeiro a saia de algodão e renda, branco como a espuma. Duas saias em xadrez, de barra ondulada. As ondas… Quatro saias de flores miúdas, coloridas, arrematadas com crochet, as cores perfeitas dos jardins. E por cima, o avental de cetim, bordado por elas, pelas mãos pacientes que esperam a sétima onda para trazer de volta o seu amor.
Se eu ainda fosse tão pequena, mãe, se eu ainda soubesse acreditar tanto, vestiria as sete saias da boneca e sentaria na praia, para te esperar voltar. Porque hoje eu sei o que é a saudade das mulheres nazarenas. Hoje eu sei o que é amar quem foi para o lado de lá do mar.
Conto escrito exclusivamente para o ateliê de bolsas de tecido La Reina Madre, de Denize Barros.
Escrito porSocorro Acioli
às
4:35 PM
Marcadores:
Processo de criação