Julie&Julia, o filme
Segunda-feira, Dezembro 14, 2009
Assisti no dia da estréia. Adorei. Foi a primeira vez em que fui ao cinema sozinha. Além de mim, mais seis pessoas. Não imaginei que eu gostaria tanto, os primeiros minutos não prometem muito. Fazendo uma ponte com o livro, Julie não deixou de ser uma personagem chata e reclamona, mas Julia me encantou mais ainda. Nem sei se a Julia Child real era tão doce como Meryl Streep conseguiu ser. O que sei é que Nora Ephron arrasou mais uma vez no roteiro, usando o melhor do livro da Julie Powell com o melhor da biografia da Julia Child.
Eu também não imaginei que choraria. Sim, eu chorei. Porque o tema central do filme não é culinária, receitas, manteiga, blog, vida contemporânea. Julie&Julia, o filme, fala sobre amizade.
Entre Julie e Eric, Julia e Paul. Casais que, antes de tudo, são amigos. Maridos que estão ao lado o tempo todo, apoiando projetos, aparando os fracassos, fazendo a piada na hora certa, sabendo o que falar e quando calar.
Julie tem amigos virtuais que comentam o blog, mandam presentes e acompanham sua vida com carinho (assim como vocês, leitores).
Julia tem uma amiga com quem se corresponde há oito anos. As cartas fazem Julia sorrir e chorar algumas vezes. Nunca tinham se visto na vida. Até que um dia aconteceu o encontro e foi a cena mais emocionante de todo o filme, para mim.
Existe um recurso em roteiro chamado "cortina lenta". É uma cena encaixada depois da cena de desfecho, quando o conflito final é resolvido e o espectador precisa de algo reconfortante para se recuperar da experiência (assim falou Robert Mckee)
A cortina lenta do Julie&Julia acontece na cozinha dos Child - pelo que a Neda disse foi filmado no museu Smithsonian, em Washington, onde está a cozinha original da Julia Child. É quando Paul entra em casa disfarçando alguma coisa e entrega um grande pacote para ela. É o seu livro, publicado, o encontro dela com ele pela primeira vez. Chorei de novo. Eu conheço essa emoção de receber o livro vindo da editora e olhar nos seus olhos. Conheço também a sensação de encontrar uma velha amiga pela primeira vez, depois de tantos anos de correspondência. A arte muitas vezes funciona como espelho. Eu me vi nesse filme e a imagem que o espelho me mostrou foi de uma vida feliz.
Escrito porSocorro Acioli às 3:29 PM
Marcadores: Estudando roteiro

No Smithsonian está A cozinha da Julia Child, tal e qual. Depois que o Paul morreu ela doou a cozinha para o museu. Não é uma cópia. Desde que está lá (já mudou de lugar por que onde se encontra agora é um museu novo) é uma das exibiçoes mais visitadas, acho que só perde para os vestidos das primeiras damas.
Ai, Socorrita, e a velha amiga soy yo!?!? Preciso ver esse filme djá!!! Vc escreve tão lindo...
beso,
Clô
Claro que é você!
O encontro é na estação. Só faltou você ter usado um casaco xadrez!
Besitos.
Gracias, Nedissima, já modifiquei o texto.