Amigos feitos de letras


Não posso negar: meus amigos correm o grande risco de servir de inspiração para os meus personagens. Isso aconteceu de forma muito direta no romance da bailarina. Personagem e pessoa têm o mesmo nome, mesma personalidade e contam a mesma história, imersa em um mundo fictício.

As vezes o amigo não surge por completo. Coloco um traço, um gosto, um toque.

Já aconteceu também o contrário: a pessoa se reconhece em um personagem sem que eu tivesse a menor consciência ou intenção de incluí-lo na trama. Nada a ver.

Sobre a relação entre vida real e ficcção, há algo pior a confessar: eu também escrevo sobre quem eu não gosto. Já aconteceu uma vez. Ou duas. Quase três. Se preciso de um personagem chato, egoísta, arrogante, prepotente, busco no meu fichário pessoal. O lado bom é que, depois disso, a raiva ou a mágoa da vida real tende a diminuir muito. Com um deles aconteceu assim.

Infelizmente meu elenco reserva de gente chata é grande. Mas eu dou alguma utilidade para eles. Organizo por tipo de chatice. No meu fichário a letra que mais tem amostras é a I : os Invejosos. Eles se multiplicam. De vez em quando pula um na minha frente, mas eu aprendi a reconhecer nos cinco minutos do primeiro tempo e tiro de campo imediatamente. Na minha vida, quero não.

Estou falando sobre isso tudo porque hoje conheci uma pessoa incrível que vai fazer parte da minha vida por algum tempo e que certamente virára personagem. Espero ter a competência literária para descrever este respeitável senhor como ele merece.

Escrito porSocorro Acioli às 7:26 PM  

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